domingo, 16 de outubro de 2016

Pelos trilhos do bonde uma história foi contada

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Pelos trilhos do bonde uma história foi contada
Deslizando sobre um par de trilhos, informações e conhecimentos, do Bananal à Ribeira
PDF 763


Diante da nova situação de disciplinas que podem ser excluídas dos currículos escolares, surge  um novo paradigma a ser enfrentado, criando novas possibilidades. A possibilidade e a necessidade de conhecimentos a serem adquiridos nas ruas, fora dos bancos escolares. E uma história está contida e contada, com conhecimentos e informações, no antigo percurso do bonde, do Bananal até a Ribeira, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro/RJ. No interior dos bondes havia reclames que até hoje são lembrados. Existiam os bondes de passageiros e bondes para transporte de mercadorias e mudanças, quando os transportes à maiores e pequenas distâncias eram escassos.


Bananal, o marco zero de um destino, a primeira página desta história. Bananal onde está localizada a Pedra da Onça com lendas e histórias, que remontam ao tempo dos índios, e dos primeiros habitantes, de um mundo chamado de civilizado. Bananal onde esta localizado o Corpo de Fuzileiros Navais. E Domenico Aversa (1) contava que o Aterro do Cocotá foi executado com uma grande quantidade de terra retirada durante a construção dos quartéis. Bananal ponto final de várias linhas de ônibus, com grande participação da Paranapuã, concorrente da Ideal. Sendo o Bananal porto de partida da história, e de algumas linhas de ônibus, ponto de partida também do antigo bonde.  O rompimento da inércia, quando a vida ainda era possível de ser mais tranquila.


Quando os banhos de mar eram famosos, no Bananal havia locais com bares e restaurantes, junto com cabines alugadas para banhos e troca de roupas. Os carnavais na Ilha, promoviam um banho de mar a fantasia, com fantasias feitas de papel, para desmancharem-se na água, em um banho depois da folia. Nas passagens de ano durante os réveillons as praias recebiam inúmeros terreiros e turistas para assistir as apresentações executadas nas areias. Nos finais de semana as praias se entupiam de banhistas vindos de outros bairros da cidade, e até de cidades vizinhas.


A presença da Light, a empresa de energia elétrica. Um bonde que representa o uso da energia elétrica, e “os pares” de fios que conduzem a corrente elétrica, Um em uma rede aérea, e outro no contato do bonde com os trilhos, os trilhos faziam a função do fio “terra”. A  possibilidade do uso da matemática calculando tempos e distâncias percorridas a partir de um ponto, o ponto inicial de um circuito. Nas curvas o uso da geometria e da física, calculando os arcos e forças centrífugas e centrípetas aplicadas. Forças sentidas pelos passageiros, com movimentos involuntários, e com ruídos característicos das rodas nos trilhos. Em um bonde sem portas e sem janelas, a paisagem histórica e geográfica era encenada diante dos olhos dos passageiros.


Rua Comendador Bastos, um personagem a ser pesquisado. As ruas com nomes indígenas estão elencadas no Bananal e na Freguesia, e outros tantos bairros da Ilha. A Rua Cambuí faz esquina com a Comendador Bastos, onde existia uma parada do bonde. Muitos lacerdinhas (inseto associado a Carlos Lacerda) caiam sobre as roupas, dos que aguardavam o bonde. E a Rua Cambuí dá acesso a uma pedreira e uma conhecida fonte chamada de  Carioquinha. Cambuí que dá acesso a Maraú, depois da Miritiba, com o Maracanãzinho, representando uma estilo de época. Renato Russo deve ter circulado bastante por estas ruas. E chega o cruzamento com a Magno Martins, a rua onde já moraram algumas personalidades, da música e da literatura. A esquina da Cinderela, onde muda o comércio, mas não muda o nome na boca do povo (2).


Então depois da Comendador Bastos chegamos a Praça Calcutá que já teve o nome de Carmela Dutra, um momento histórico justifica a troca do nome. A praça onde está a Igreja Nossa Senhora da Ajuda, congregando uma freguesia (nome dado a um grupo religioso e católico; a um grupo que frequenta um comércio; e dá nome ao bairro). Dizem que a igreja foi construída em cima de um cemitério indígena. Da praça avistamos a praia e algumas ilhas, da baía da Guanabara, o mesmo nome da praia. As velhas estacas de uma ponte onde chegavam barcas. Em um local próximo destroços da ponte da Formicida. Local de restaurantes e casas de shows. A igreja nova e a igreja velha… um busto na praça, e em um tempo distante, um chafariz. Ponto das antigas lotações desenhadas por Anuar Said. Saindo da praça um local que foi frequentado por Getúlio Vargas, no tempo que a Ilha era distante, da capital federal Rio de Janeiro/Guanabara. Um balneário, bar e restaurante em um sobrado, depois de uma escada. Do outro lado da avenida, a antiga barbearia do Gravatinha e depois do Moisés, nos tempos que o principal corte era o Príncipe Danilo. Tudo ali era próximo: barbearia e café, mercado e mercearia, padaria e farmácia, jornaleiro e ponto de carros de praça, hoje simplesmente táxi.


Saindo da praça inicia a Avenida Paranapuã, um nome dado à ilha pelos antigos índios. O antigo mercadinho, a antiga loja do Melo, com papelaria e bazar. A pizzaria Brotinho, a rua Bojuru, a loja do Cajueiro com artefatos de umbanda. A Escola Rotary e o antigo cine Itamar, que marcou uma época. O posto de saúde (CAPS), que exerce outro papel em outro momento histórico com a febre amarela e a falta de saneamento. Os painéis pintados na parede interna do prédio. A rua Pio Dutra e a rua Chapot Presvot. Os dutos da Petrobras que atravessam a Ilha ligando a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC) à ilha D’água. O local onde eram montados circos. A antiga estrada da Porteira, dando acesso aos Bancários, praia da Rosa e Pixunas. E chega-se ao bairro do Tauá, uma igreja pode ser percebida bem próximo a via principal.  O antigo supermercados Merci, que tornou-se CB (haviam mais dois na Ilha), e adquiriu outros nomes. Entre o Tauá e o Cocotá a cova da Onça.


Cocotá onde existiu um antigo mercado municipal. E atrás do mercado a agência dos Correios. Foi um centro bancário por um grande tempo, com o BEG (Banco do Estado da Guanabara, que tornou-se BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro) e o BEMGE (Banco do Estado de de Minas Gerais). Sede do conhecimento e educação com biblioteca pública e centro cultural. Antigo e atual, ponto de chegadas e partidas de barcas. Local da antiga telefônica, nos tempos da CTB (Companhia Telefônica Brasileira), depois chegou a CETEL (Cacuia). O Clube do Cocotá tem uma história própria. No Cocotá o encontro de bondes que se cruzavam com destinos e origens opostas.


O edifício Sobre as Ondas, antiga caieira, representada em tela de Anuar Said. O colégio Capanema (quem foi o Barão de Capanema, uma informação a ser incorporada). O colégio Thales (quem foi Tales de Mileto, uma informação a ser incorporada. A FAMIG (Federação das Associações de Moradores da Ilha do Governador). A Igreja de São Sebastião. A ADL (Agência de Desenvolvimento Local, do governo do Estado. O centro administrativo - XX R.A (subdivisão da cidade). A antiga garagem dos bondes.  Capitão Barbosa e Tenente Cleto Campelo (uma informação a ser incorporada), que fizeram (fazem) parte da história da Ilha.


E segue-se em direção ao Zumbi. Um tucano por muito tempo fazia parte da paisagem, em uma gaiola de uma determinada casa. A água mineral Fontana, ficava no caminho. Um pavão também fez parte da paisagem em umas das curvas que levam ao Zumbi. A Ponta do Tiro e a Praia da Bandeira, um registro geográfico e histórico. No Zumbi o Clube do Jequiá e a Engenhoca. O posto de saúde em outro lado do Zumbi. A praça do Zumbi que já foi cenário em propagandas antigas.


A chegada na Ribeira, praça Iaiá Garcia, o antigo cinema. Empresas petrolíferas. Ponto final do bonde com chegadas e partidas de barcas. Casa do Índio. Centro cultural e gastronômico. Feira de artesanato e antiguidades. A tradicional feira da Ribeira com frutas, hortaliças e legumes, e mais outras diversidades de produtos. A música ao vivo na feira. A vida noturna com bares, restaurantes e pizzarias, trailers e quiosques.


O texto acima serve de referencial para informações e conhecimentos contidos nas ruas, no antigo percurso do bonde. Outras informações ainda podem estar contidas e necessitam ser pesquisadas. Não se tratam de informações apenas históricas, mas de cultura e conhecimento geral como português e matemática. A geografia geral e a geografia da Baía da Guanabara. A Ilha do Governador possui alguns acidentes geográficos como: rios, sacos e mangues; praias e morros; rochas e rochedos; e até uma ribeira.


RN 16/10/16

Pelos trilhos do bonde uma história foi contada
Deslizando sobre um par de trilhos, informações e conhecimentos, do Bananal à Ribeira
PDF 763



por: Roberto Cardoso (Maracajá)
Em: 16/10/2015
Entre Natal/RN e Parnamirim/RN


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(2) A esquina nervosa da Freguesia

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016